domingo, 27 de janeiro de 2013

ILHÉUS – CURIOSIDADES – TOLERÂNCIA ZERO


José Rezende Mendonça


Foto do Vesúvio - 1940 - Fotógrafo desconhecido

Hoje em dia é muito comentada a chamada "tolerância zero", ligada, em especial, à cidade de Nova York, quando seu então prefeito Rudolph Giuliani decidiu que a melhor maneira de evitar infrações maiores é punir, com rigor, a partir das pequenas.

Embora coisas aparentemente novas, algumas cidades brasileiras, de pequeno porte, poderiam servir de exemplo, em casos presentes e mesmo de um passado distante.

O autor destas linhas abaixo viveu dos quatro aos trinta e um anos (1928-1955), em Ilhéus, num tempo em que a região sul baiana tinha dimensão nacional, ainda era afamada pela riqueza do cacau, e, como se sabe, o grande Jorge Amado, registraria, com a maior competência, a partir dos anos 30 do século passado, a história, romanceada, dos "frutos de ouro".

Àquele tempo a população da cidade girou entre 10 mil e 20 mil habitantes, mas Ilhéus, de há muito, tinha três vice-consulados (Suécia, Noruega e Inglaterra) e já contava com agência do Banco do Brasil, quando mesmo algumas capitais não a possuíam.
“Citando”, assim, sem preocupação histórica, conheci, há meu tempo, intendentes e prefeitos de Ilhéus como Eusínio Lavigne (que veio com a revolução de 30, ficou sete anos e é, até hoje, considerado como o administrador de maior visão que Ilhéus já teve) Mário Pessoa (duas ou três vezes prefeito), Raymundo do Amaral Pacheco, Eunápio Peltier de Queiroz, todos eles com cursos superiores e integrantes da elite da terra. Ligava-os, como regra geral, a preocupação de todos com o aspecto da cidade e eram, podemos dizer partidários da "tolerância zero".

“No Centro da cidade, se alguém, certamente uma pessoa de fora, deixava cair algum lixo (ponta de cigarro, um papel amassado) nas ruas Dom Pedro II, Marquês de Paranaguá e outras, estava sujeito a ser interpelado, educadamente, pelo guarda para recolher "o lixo". Não raro, cidadãos comuns, da terra, davam esse pito no "infrator".

“Tais ruas estavam, sempre, limpas. Bicicletas só circulavam com a competente placa requerida na prefeitura. Lavar a casa e escorrer a água para a rua sujeitava o infrator a multa e contam que uma vez o próprio prefeito Mario Pessoa teria sido multado por um guarda, por tal motivo, ocorrido em sua residência”.

“Vasos de plantas nas janelas? Multa certa. Os jardins eram sempre muito bem cuidados, as árvores podadas, artisticamente. Há pouco tempo, comentando tais coisas, um oftalmologista de Ipanema, Dr. Max, disse que em sua cidade, no Paraná, ao seu tempo, era assim. Parece que era Apucarana. Lá para as bandas do Sul ainda há o costume de a cada fim de viagem de ônibus o carro ser varrido”.

“Uma curiosidade: se Jorge Amado fosse escrever, hoje, sobre o cacau, teria de deixar de lado a referência que tanto gostava de fazer de "árvore dos frutos de ouro", para falar do cacaueiro. É que o melhor cacau de hoje, das recentes plantações resistentes à praga, tem a casca marrom e, por sinal, é muito feio, quando o "fruto de ouro", justificando a designação, tem belo visual”.

“Uma segunda curiosidade: ao que se sabem, Ilhéus é uma das duas cidades, em todo o mundo (a outra é na Europa Oriental) a ter, em jardim público, uma estátua da poetisa Safo”. Dizem “que um prefeito, nas primeiras décadas do século passado, adquiriu-a, aleatoriamente, num leilão realizado no Rio”.
Amaury Fonseca de Almeida
Jornalista

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