quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
ILHÉUS SOBRE TRILHOS
“ROTA DO DESENVOLVIMENTO ONDE SE MISTURAM INTERESSES E AMBIÇÕES”
As informações chegam até nós, numa velocidade e sem que precisemos vasculhar por elas.
Numa dessas andanças, pela cidade e mais precisamente na calçada do antigo Hospital e Maternidade Santa Isabel, quatro cidadãos, de biótipos atípicos aos da nossa região, gesticulavam e debruçados na porta malas do veículo, abriram uma “Planta Baixa”, que me chamou atenção.
Com sutileza, cheguei me identifiquei, e logo obtive a resposta, que todo ilheense gostaria de ouvir. Confirmaram-me a restauração do prédio com a mesma finalidade, ou seja, teremos de volta a nossa unidade de saúde, fechada há muito tempo.
Mais adiante, na Praça Cairú, outro cidadão, sem se preocupar com os demais transeuntes, falava ao celular, e o teor foi mais ou menos este: … “Pode vir, temos muitas áreas, que ainda podemos comprar por preços baixos”… “Zona norte, todo o trecho por onde passará a ferrovia, até o mar”… “Sim, trecho da zona rural do Rio do Braço, Castelo Novo”… “Sim na rota intermodal”… “Não, sobre minério no local não sei informar”…
Uns dois dias depois, conversando com um amigo corretor de imóveis, sobre o assunto, ele foi mais além e disse-me: São investidores chineses, portugueses e italianos na sua maioria, mas tem também empresários do sul e sudeste do Brasil, que sobrevoam a toda hora estas regiões, e quase sempre acompanhados de pessoas da região.
Disse-me também, que nas mediações de Serra Grande, Ponta da Tulha, Aritaguá, estão oferecendo em média, R$ 60.000,00, onde só tem mato, mas mesmo assim, valeriam muito mais. Os que já sabem da expansão que Ilhéus terá com a chegada da ferrovia, porto e aeroporto, ZPE, duplicação da BR-415, e a nova ponte, mesmo com todo atraso para sua entrega definitiva, não estão se desfazendo de seus bens, mas a maioria já está vendendo por acharem bom negócio.
Ainda bem, que pensamentos por uma Ilhéus na rota do desenvolvimento, tanto por pessoas públicas e ou particulares merecem aplausos. É notório e democrático, que haverá sempre os radicais, que só veem o lado negativo, por convicções ou interesses.
O Progresso é assim mesmo, a população cresce e com ela uma cadeia de diversas necessidades, e se ficarmos parado só esperando, que não podemos tocar na floresta, restinga, capoeiras, etc., ficarão impossíveis dar conta de tudo.
A natureza precisa de nosso cuidado e atenção, mas não podemos muitas vezes fazer tempestade em copo d’água. Pode-se muito bem conciliar as duas coisas, senão vamos ficar sentados à beira do caminho esperando que tudo cai do céu, ou vivendo de pegar borboletas e vendendo, nossa fauna e flora, justamente para aqueles que tanto condenam isto.
Alguns participantes de determinadas ONG(s) pelo o país afora, não tão nem aí se o atraso se instalar aqui. Recebem bons salários e outras mordomias e fecha os olhos, para outras coisas mais importantes e carentes deste Brasil. Os países desenvolvidos agradecem, pois nos querem sempre como colônia deles. O lema destes países é: “Podemos tudo os em desenvolvimentos não”. O progresso é coisa para poucos, portanto, aplausos para aqueles que não se deixam abater e empurra Ilhéus sobre os trilhos.
Ilhéus já está no caminho sem volta para o desenvolvimento e isto é bom. Não foi a toa, que para aqui vieram: O Atacadão, Makro, GBarbosa, Lojas Americanas, Casas Bahia, Ricardo Eletro, Lojas Maia/Magazine Luiza, etc., e outras que já pediram suas licenças para tal. Por último foi inaugurado esta semana a D & D Home Center, e quem for por lá, vai ver quanto nosso comércio está atrasado, em todos os sentidos. Verá o conceito de atendimento, espaço, organização e uma diversificação de quase tudo no ramo de material de construção num só lugar.
Nossos comerciantes mais cautelosos ou que ainda não caíram na real, vão amargar o sabor de serem engolidos ou envolvidos por empresários de outras regiões do país, que transformarão Ilhéus e a região de vez, quem viver verá.
Estão aí a todo vapor as construtoras como CICON e outras, expandindo prédios por toda Ilhéus e Itabuna, além de conjuntos populares “Minha Casa, Minha Vida”, fora os Condomínios fechados de primeira linha para a população das classes médias (baixa e alta).
Será que estes empresários não têm visão? Ou somos nós que não queremos enxergar a realidade?
Os dirigentes da D&D escolheu na Bahia a região sul e saiu na frente em Ilhéus e Itabuna. Será que empresários destas redes não fazem pesquisas? Não sabem o que se discute em Brasília? Claro que sabem.
Tudo isso, nos leva a crer solidamente no sucesso destes empreendimentos, gerando emprego, economia, onde o dinheiro circulará, levando Ilhéus e os municípios circunvizinhos a uma recuperação, depois do desastre da vassoura de bruxa.
Claro, que os municípios e principalmente Ilhéus e Itabuna, têm que fazerem sua parte, melhorando a mobilidade urbana e rural, integrando a construção da ferrovia Leste /Oeste, num sistema de circulação com boas vias de acesso, para que a demanda tenha celeridade em todos os sentidos. É hora para nossos administradores despontarem, como bons gestores, correndo atrás de parcerias públicas e privadas, onde envolvam o Estado e a União, pois o desenvolvimento não será só desta região e sim da Bahia e do Brasil.
É hora de não pensarmos em sonhos pessoais, ou só numa determinada coisa, local, e razão, é hora sim, de pensarmos num todo, sem vaidades e interesses pessoais ou financeiros, senão Ilhéus mais uma vez poderá ver o “bonde passar”. Mas não quero acreditar nisso, pois o rolo compressor vindo de outras cabeças que estão se instalando aqui, deverá passar por cima dos atrasados no tempo ou aqueles que estão sentados à beira do caminho, com seus notebooks e outros aparatos modernos, debaixo da sombra de uma boa árvore, esperando uma chuva fina, para completar sua paz.
Por fim, quero registrar minha confiança na administração atual de Ilhéus, até o último momento, pois Ilhéus é nossa, e não de uma só pessoa. E que sociedade civil organizada se junte com sua capacidade, e faça Ilhéus sair beneficiada para este futuro sobre trilhos, rodas, mar, ar e terra.
José Rezende Mendonça
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
PONTAL – “REVIVENDO OS CARNAVAIS”
E com este tema foi chegada a hora da despedida, nesta terça-feira de carnaval, e para encerrar com chaves de ouro, o Bloco Seca Copo, mais uma vez volta às ruas do Pontal e arrasta multidões.
Era chegado o momento de silenciarem os tambores, e dizer ao povo pontalense: valeu... valeu... valeu... Esperando que em 2014, a alegria, a paz e o divertimento saudável estejam de volta.
Para os que não conheceram a “Turubibita de Hermes”, aqui no Pontal, esta foto, revela a diferença entre “Os bonecos das Cabeças Grandes” que eram foliões normais, apenas com as cabeças desproporcionais ao corpo. Enquanto as “Turubibitas” eram sempre esculturas de mulheres gigantes, que eram seguradas por um pedaço de pau pelos foliões.
José Rezende Mendonça
Pontalense desde 1951
Ilhéus, 12.02.2013
Era chegado o momento de silenciarem os tambores, e dizer ao povo pontalense: valeu... valeu... valeu... Esperando que em 2014, a alegria, a paz e o divertimento saudável estejam de volta.
Para os que não conheceram a “Turubibita de Hermes”, aqui no Pontal, esta foto, revela a diferença entre “Os bonecos das Cabeças Grandes” que eram foliões normais, apenas com as cabeças desproporcionais ao corpo. Enquanto as “Turubibitas” eram sempre esculturas de mulheres gigantes, que eram seguradas por um pedaço de pau pelos foliões.
José Rezende Mendonça
Pontalense desde 1951
Ilhéus, 12.02.2013
sábado, 2 de fevereiro de 2013
PONTAL - OLIVENÇA UMA EXTENSÃO DO PASSADO - II
José Rezende Mendonça
Esta Praça em Olivença, nos remete a lembrar de nosso tempo de criança e adolescente (1957 a 1969). Naquela época, ela era mais importante do que mesmo o balneário Tororomba. Nela se realizava a sua maior tradição – A PUXADA DO MASTRO DE SÃO SEBASTIÃO – que iniciava por volta das quatro da madrugada do dia 06 de janeiro (Dia de Reis), não importando em que dia da semana caísse o dia 06. Era um começo de uma jornada, que terminava por volta das 19:00 horas em frente à igreja matriz de Nossa Senhora da Escada, onde finalmente era celebrada uma missa, e lá no seu interior colocavam-se as cordas que serviram para puxarem os mastros.
Era um dia todo especial para os habitantes, não só de Olivença, mas para os que viviam naquela redondeza, num agitamento sem igual. Os nativos, na sua maioria cabocla, se vestiam a rigor. Usavam suas roupas mais bonitas, e ou até mesmo confeccionadas para aquela ocasião. Como não se lembrar de Everaldo Rezende Mendonça, branco de olhos azuis, que desde sua adolescência e até onde sua saúde permitiu, se tornou o “SINEIRO” oficial da festa, que partia para mata junto com os “machadeiros”, para escolherem as duas árvores (troncos), para substituírem o mastro principal e o secundário (que servia para proteger a imagem de São Sebastião) em frente à igreja.
O tronco principal era arrastado pela praia pelos adultos, já o tronco menor, era arrastado pelas crianças, que se deliciavam, arrastando para ás águas do mar, a fim de facilitar o seu deslocamento e aproveitavam para banhar-se, jogar água para cima, pular, mergulhar e subir até a restinga para deliciar das frutas silvestres que lá não faltavam como: Araçá (Fruto parecido com a goiaba, mas de menor tamanho e gosto um pouco ácido), Cardo de Praia (Planta espinhosa, com o fruto de mesocarpo comestível de cor esbranquiçada e sementes pretas, Garu (Fruto de casca avermelhada e mesocarpo tipo uma massa adocicada), maçaranduba (fruta de cor avermelhada, seu mesocarpo comestível, adocicada com um leite viscoso), Coco de Xangó ou Xandó, fruta tipo parecido com uma espiga de milho, com fruto de cor alaranjado para o vermelho quando madura, de sabor doce). A saída se dava em frente à fazenda Ypiranga de Vivaldo Mendonça, onde desde cedo já era armado uma barraquinha na praia, com bolos de milho, tapioca e outras guloseimas como: xerém, puba na palha de bananeira, além do cafezinho e algumas aguardentes, para esquentar o sangue, como diziam os cablocos. Era a concentração desde aproximadamente das 11:00 horas, que findava quando os “machadeiros” deixavam a mata trazendo os troncos, e aí sim, começava o cortejo numa espécie de penitência, isto por volta das 15:00 horas.
Os que ali estavam em sua maioria, cumpriam suas promessas pela graça alcançada. Chegando a Olivença em torno das 18:00 horas. No trajeto, no lugar chamado “Água dos Milagres”, era a vez de entrar em cena os músicos, que chamávamos de “Zabumba”, com suas vestimentas a caráter, com suas gaitas, realexos, triângulos e caixas (instrumentos musicais). Um som tão suave, que penetrava em nossos ouvidos como um verdadeiro bálsamo em louvor a DEUS. Eles acompanhavam o cortejo até a porta da igreja, onde o foguetório brindava a todos.
Já no dia 20 de janeiro, o dia consagrado a São Sebastião, se erguia o novo mastro, e o antigo se fazia uma grande fogueira à noite para completar aquele folclore, que o os tempos modernos apagou de Olivença.
Hoje o que se ver não é mais uma tradição (folclore), e sim, uma mistura com trio elétrico, carros de som e cada um a seu bel prazer, desfigurando com suas músicas variadas do pior ao péssimo, que nada tem haver com outrora.
Tínhamos já as músicas decoradas para cantar em todo trajeto, de mais ou menos dois quilômetros, e para quem não lembra mais, vai aí para matar a saudade. “Aruê dão! aruê, dão, dão! Eia, leva, puxa o mastro, que é de São Sebastião” – “Aruê, dão, aruê dão, dão! Leva pessoal, e aguenta corda e viva São Sebastião” e algumas outras que não me lembro mais. Ora, não somos contrários à modernização, mas existem tradições que precisam ser mantidas na sua originalidade, pois esta é a razão principal para que os turistas assistam a festa como na realidade acontece em todo Brasil, onde estas tradições do passado são mantidas até hoje.
O maior exemplo disso é o nosso bairro do Pontal, que já vinha introduzindo aos poucos, aquele “velhos carnavais” de marchinhas e blocos. E este ano deslanchará de vez, com a inclusão do baile à noite, como se fosse o velho clube Social do Pontal. Tudo liderado pelo colega Abobreira, o Sr. Clélio, e de toda equipe da nova Associação dos Moradores do Pontal (AMOP).
Fico feliz por saber que nosso trabalho no livro “Pontal Ontem & hoje – Memórias” atingiu o seu conclame e tenho quase que certeza, que as outras tradições citadas no livro do Pontal irão voltar, para o bem desta comunidade.
José Rezende Mendonça. Pontalense desde 1951.
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