Foi no dia 22 de maio de 1989, que uma notícia oficial, foi como uma
bomba de efeito estarrecedor, e guardando todas as devidas proporções, foi
comparada com a bomba jogada nas duas cidades japonesas na segunda Guerra
Mundial (Hiroshima e Nagasaki).
Chegava de forma oficial a nossa
região cacaueira, a doença tão temida na época, a vassoura-de-bruxa (Crinipellis perniciosa).
A doença era tão devastadora que muitos e até jornalistas, confundem-se e a
denomina de PRAGA DO CACAU.
Foi um tema bastante debatido,
explorado, acusações apartes e até hoje nunca uma nota oficial foi conclusiva.
Apenas relatos, documentários, filmes (todos muito bem balizados e que merecem
créditos), confissões registradas em cartório, sem que supostos servidores da
Ceplac, políticos, cacauicultores, firmas de cacau, que fazem parte deste
amarfanhados de suposições se tenha a verdade verdadeira.
Com isso a CEPLAC, nosso maior patrimônio, respeitado
internacionalmente, se viu abalada e colocada em prova, sua capacidade de
reverter à situação.
Foram exaustivas pesquisas, lutas diárias no campo, sem cessar na busca
de uma solução para a doença, e aos poucos, como são todas as pesquisas,
a CEPLAC foi se refazendo ao meio de tantas críticas injustas, que na verdade estes críticos teriam que dar-lhe todo o apoio como instituição.
a CEPLAC foi se refazendo ao meio de tantas críticas injustas, que na verdade estes críticos teriam que dar-lhe todo o apoio como instituição.
A CEPLAC não é feita só de servidores, ela representa e sempre
representará uma região que passou por várias crises e desde sua criação em 20
fevereiro de 1957, só fez com que os Coronéis de Cacau (título dado aos grandes
fazendeiros naquela época), quadruplicassem seu patrimônio e até esbanjasse,
além do que seria razoável.
Foi um órgão federal, que atuou em todas as regiões cacaueiras do
Brasil, como se fosse à responsável direta pelas obras de infraestrutura como:
Portos, estradas, eletrificação rural, pontes, escolas, hospitais,
universidade, e tantas outras obras, que listaríamos aqui sem colocar um ponto
final.
A revista Veja, de 21 de junho de 2006, na página 60, publicou uma
matéria com o título: “TERRORISMO BIOLÓGICO”, que reascendeu novas discussões.
Atribuía à reportagem, que a disseminação da vassoura-de-bruxa, foi trazida de
Rondônia, criminosamente, para os cacauais da região cacaueira da Bahia. Com
isso, novas indignações, custando-se a acreditar que uma pessoa ou grupos
seriam capazes de tal ação alucinada, e que nessa nojeira toda alguém queria se
beneficiar.
Poderiam perguntar por que Rezende volta à tona um tema que parece já
estar no PASSADO? Diríamos que não, ela está aí no PRESENTE. Com seus efeitos
destruidores, que até nos parece, se é, que não estamos fazendo mal juízo. Que
o próprio governo federal, está querendo ver a CEPLAC sucumbi-la por inanição.
Já não se contratam mais servidores, as verbas cada vez mais reduzidas,
seus DIRETORES são trocados a cada desejo de um político ou partido, a maioria
dos servidores morrendo na ativa, porque não podem se aposentar com um salário
digno por tanto tempo de amor e trabalho por este órgão, outros recebem um “pé
no traseiro” aos 70 anos por aposentadoria compulsória, a minoria com um
salário digno, não sabem se ficam ou se sai. É duro tudo isso, mas é a mais
pura realidade.
E aqui ficamos nós até o momento, sem uma resposta que nos tirasse desta
agonia, mas o tempo é o senhor da razão e, mais cedo ou mais tarde, a verdade
aparecerá. No nosso entender, esta resposta virá quando tudo já estiver
enterrado e sacramentando, e ficará na história do cacau, para que nossos netos
e bisnetos leiam este passado triste de uma região que tinha um FRUTO DE OURO e
que APODRECEU.
Apesar de toda pesquisa da CEPLAC de forma incansável, isto leva anos
até se ter um material botânico, cada vez mais TOLERANTE a vassoura-de-bruxa,
porque RESSISTENTE, jamais acontecerá.
Os fazendeiros têm que entender que pesquisa em todos os sentidos é
assim mesmo. Quem já não leu, que determinado produto recomendados
cientificamente pelos mais renomados laboratórios dos Estados Unidos, e que
depois de vários anos de recomendação, volta atrás e diz que está tudo errado?
Fazendo um anuncio frio, recomendando o não uso daquele medicamento.
Então senhores fazendeiros, por que abandonar a CEPLAC, um órgão que
sempre esteve ao lado de vocês e da região? Não seria hora de arregaçar as
mangas e lutar por ela?
Bom, quanto às baronesas, foi apenas um complemento de título da matéria
para efeito de “chamada”, mas aproveitamos para alertar ao nosso próximo
prefeito, que as “baronesas” (planta aquática), vão chegar às praias num
período crítico, mas, tradicional então anote mais esta tarefa, para limpeza
geral desta cidade já tão sofrida.
José Rezende Mendonça - Técnico Agrícola/CEPLAC/Aposentado
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